Este artigo relata uma experiência de ativação comunitária voltada à mobilização da sociedade civil e à discussão crítica sobre os riscos do uso do Reconhecimento Facial (RF) na segurança pública. O RF,a tecnologia baseada em Inteligência Artificial (IA), tem se expandido no Brasil sob a promessa de eficiência e neutralidade, mas apresenta falhas significativas que resultam em prisões injustas e reforçam preconceitos estruturais. Longe de ser apenas uma ferramenta técnica, o RF opera como um agente em um processo tecnopolítico opaco de vigilância que afeta desproporcionalmente populações negras e periféricas. A ativação comunitária relatada neste artigo ocorreu no evento Criptofunk 2024, no conjunto de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, e envolveu quatro diferentes atividades integradas: experimentação de algoritmos de Reconhecimento de Emoções; oficina com apresentação e debate sobre RF; maquiagem de resistência; e performance de grafitti ao vivo sobre RF. O alto engajamento do público indica o êxito da proposta em conectar universidade e território, promovendo trocas horizontais, crítica social e aprendizado mútuo sobre os impactos dessas tecnologias.
PECINI, André; PIO, Débora; SEHNEM, Rubia; BIZERRIL, Pietra; SANTOS, Yasmin; FIRMINO, Rodrigo; ISRAEL, Carolina; VIEIRA, Gilberto. Olhares insurgentes: reconhecimento facial e tecnopolíticas de resistência na Criptofunk 2024. Interfaces – Revista de Extensão da UFMG, [S. l.], v. 14, n. 1, p. 1–26, 2026.