Olá! Para conhecer um pouco sobre minha biografia e currículo, clique aqui. Para saber a agenda de eventos que tenho participado, siga por aqui. Os textos que tenho escrito em revistas acadêmicas, livros e sites estão nesta lista. Também fiz um apanhado de experiências multimídia que estão na aba multimídia. E minhas experiências acadêmicas (cursos, bancas, pesquisas etc.) estão detalhadas aqui.

Gilberto Vieira
contato@gilbertovieira.me

Agenda

Aula

Comunicação de dados e direito à comunicação

Programa de Pós Graduação em Informação e Comunicação em Saúde | PPGICS
ICICT – Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde | Fiocruz
Rio de Janeiro
10 de junho de 2026

Palestra

Ecossistemas digitais, repertório e redes de colaboração

Rede de Formação em Cultura Digital | Labic Aldeias
Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ
Com Ivana Bentes e Ray Baniwa
Manaus
29 de maio de 2026

Aula

Methods and perspectives of data activism in Latin America and in the favelas of Brazil

Österreichische Akademie der Wissenschaften | Austrian Academy of Sciences
Viena, Áustria
26 de maio de 2026

Debate

Por uma política de Tecnologia Social para o Rio

UERJ – I Seminário de Tecnologias Sociais e Inovação: Por uma política de Tecnologia Social para o Rio
Rio de Janeiro
11 de maio de 2026

Palestra

Geração Cidadã de Dados: métodos e perspectivas do ativismo de dados na América Latina e nas favelas do Brasil

Resiliência comunitária nas margens urbanas
Universidade de Columbia
Rio de Janeiro
17 de março de 2026

Novos textos

Este artigo relata uma experiência de ativação comunitária voltada à mobilização da sociedade civil e à discussão crítica sobre os riscos do uso do Reconhecimento Facial (RF) na segurança pública. O RF,a tecnologia baseada em Inteligência Artificial (IA), tem se expandido no Brasil sob a promessa de eficiência e neutralidade, mas apresenta falhas significativas que resultam em prisões injustas e reforçam preconceitos estruturais. Longe de ser apenas uma ferramenta técnica, o RF opera como um agente em um processo tecnopolítico opaco de vigilância que afeta desproporcionalmente populações negras e periféricas. A ativação comunitária relatada neste artigo ocorreu no evento Criptofunk 2024, no conjunto de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, e envolveu quatro diferentes atividades integradas: experimentação de algoritmos de Reconhecimento de Emoções; oficina com apresentação e debate sobre RF; maquiagem de resistência; e performance de grafitti ao vivo sobre RF. O alto engajamento do público indica o êxito da proposta em conectar universidade e território, promovendo trocas horizontais, crítica social e aprendizado mútuo sobre os impactos dessas tecnologias.

 

PECINI, André; PIO, Débora; SEHNEM, Rubia; BIZERRIL, Pietra; SANTOS, Yasmin; FIRMINO, Rodrigo; ISRAEL, Carolina; VIEIRA, Gilberto. Olhares insurgentes: reconhecimento facial e tecnopolíticas de resistência na Criptofunk 2024. Interfaces – Revista de Extensão da UFMG, [S. l.], v. 14, n. 1, p. 1–26, 2026.

 

Dados sobre quem importa: ativismo tecnopolítico nas favelas do Brasil

A centralidade dos dados na vida urbana contemporânea tem reconfigurado modos de governança da vida e da morte, assim como relações de poder, ampliando desigualdades históricas e tensionando o direito à cidade. No contexto brasileiro, marcado por profundas assimetrias sociais e pela estigmatização das populações que vivem em favelas e periferias, emergem iniciativas em que coletivos e organizações sociais se apropriam criticamente de tecnologias e metodologias de produção de dados para intervir nas narrativas e nas políticas que afetam seus territórios. Esta tese investiga como o uso de ferramentas mobilizadoras de dados por grupos periféricos influencia um movimento de reposicionamento tecnopolítico dessas populações, legitimando-as como produtoras de conhecimento técnico e filosófico. Ancorada em referenciais críticos sobre urbanismo, tecnologia, política e colonialidade, a pesquisa combina abordagem qualitativa e etnográfica, com observação participante no campo do ativismo de dados brasileiro, assim como em eventos estratégicos sobre dados e periferias realizados entre 2022 e 2024, além de análise documental de projetos e políticas. Os resultados indicam que a prática intitulada “Geração Cidadã de Dados”, quando enraizada em redes comunitárias e articulada a repertórios políticos próprios, potencializa disputas narrativas, amplia capacidades de incidência política e fomenta novas formas de participação no debate urbano. Contudo, as práticas analisadas enfrentam barreiras que envolvem infraestrutura, acesso a recursos técnicos e financeiros, deslegitimação científica e riscos de captura por plataformas corporativas de tecnologia. A análise revela que tais práticas operam como cosmotécnicas e cosmopolíticas, ativando modos de vida e produção de conhecimento que desafiam visões hegemônicas sobre a favela e evidenciam um urbanismo situado, capaz de inspirar novos arranjos de diálogo entre Estado, sociedade e corporações. Conclui-se que a Geração Cidadã de Dados configura um repertório emergente de ação tecnopolítica e epistêmica nas periferias, com potencial para reposicionar esses territórios no centro das discussões sobre governança urbana no caos do Antropoceno. A pesquisa contribui, assim, para os estudos urbanos e para o campo da justiça de dados ao propor categorias analíticas e interpretações críticas que podem ser aplicadas a outros contextos do Sul Global, ampliando a compreensão sobre a interseção entre dados, território e ativismo.

VIEIRA, Gilberto. Dados sobre quem importa: ativismo tecnopolítico nas favelas do Brasil. Tese (Doutorado em Gestão Urbana) – Escola de Arquitetura e Design, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, 2025.

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O capítulo discute a tecnopolítica dos dados no contexto do Antropoceno, argumentando que a intensificação da dataficação da vida urbana aprofunda desigualdades históricas e produz novas formas de governança excludente. A partir de uma perspectiva crítica, os autores articulam debates sobre colonialismo digital, justiça climática e governança de dados, destacando o papel das favelas como territórios centrais na produção de saberes e práticas alternativas. Com base em pesquisa etnográfica e na experiência do data_labe e do projeto Cocôzap, o texto propõe a Geração Cidadã de Dados como estratégia tecnopolítica capaz de reconfigurar relações entre Estado, território e conhecimento no enfrentamento das crises socioambientais contemporâneas.

 

VIEIRA, Gilberto; MACHADO, Bruno Amadei. A tecnopolítica dos dados e a centralidade das favelas no Antropoceno. In: LEMES, Manoel et al (Org.). Cenários alternativos de planejamento territorial para o século 21. 1. ed. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2025, p. 412–424.

 

Este texto parte de uma reflexão sobre como habitar a catástrofe contemporânea, marcada pela crise ambiental e pelas novas formas de colonialismo digital. Inspirado em autores como Davi Kopenawa, Shoshana Zuboff e Deivison Faustino, evoco o colonialismo de dados como uma atualização das lógicas imperiais de extração e controle, nas quais as grandes corporações tecnológicas concentram poder e produzem subjetividades. A partir dessa crítica, apresento o trabalho do data_labe, organização fundada na Maré que pratica a Geração Cidadã de Dados (GCD) como estratégia de enfrentamento à colonialidade e de reinvenção da vida urbana. O texto propõe compreender o ativismo de dados periférico como prática ontopolítica capaz de reconfigurar categorias oficiais e epistemologias coloniais, sugerindo que habitar a catástrofe implica criar outras formas de conhecer e adiar o fim do mundo.

 

VIEIRA, Gilberto. Ativismo de dados nas periferias urbanas: como(re)imaginar a cidade na era da colonialidade dos dados. In: Barbara Necyk, Bianca Martins, Ricardo Artur. (Org.). Desconversas: design e educação. 1ed.Rio de Janeiro: PPDESDI, 2025, v. 1, p. 14-29.

 

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