Este capítulo revela um aspecto particular do surgimento de plataformas urbanas digitais: a sobreposição de ferramentas digitais, ativismo digital de dados e assimetrias políticas na reimaginação e reconstrução das cidades. Em todo o mundo, o trabalho de hackers cívicos, hackathons e outras formas de ativismo de dados levou a uma variedade de arranjos sociotécnicos que podem ser considerados plataformas urbanas e vão de portais municipais de dados abertos a aplicativos comerciais e não comerciais para atividades urbanas (Luque-Ayala & Marvin, 2020). Essas plataformas intervêm em várias dimensões urbanas, como transporte, segurança pública, infraestrutura e gestão de resíduos. Argumentamos que o ativismo de dados e as intervenções digitais pré-configuram plataformas urbanas, tanto materialmente quanto politicamente. Embora nem todas as plataformas digitais tenham raízes na tecnologia cívica, sugerimos que, dentro das práticas de ativismo digital e de dados nas cidades, há sempre uma variedade de plataformas em construção.

 

LUQUE-AYALA, Andrés. et al. Plataformas urbanas: Hackers cívicos e ativismo digital nas cidades brasileiras. Em: KRAUS, Lalita. et al. Cidades inteligentes e contradições urbanas: reflexões para a garantia do direito à cidade. Rio de Janeiro: Garamond, 2023. p. 209–226.