Este artigo explora o fenômeno emergente do ativismo de dados, aqui definido como o uso crítico e estratégico de dados para amplificar demandas sociais e influenciar políticas urbanas. Analisando a agenda política do maior evento da América Latina dedicado ao tema, identificamos presenças e ausências que revelam lacunas na governança contemporânea das cidades. Em seguida, investigamos o trabalho de uma organização social fundada por jovens no Conjunto de Favelas da Maré (Rio de Janeiro), que vê na Geração Cidadã de Dados (GCD) uma oportunidade de reposicionar seus territórios e suas reivindicações. A análise sugere que, apesar das novas configurações de colonialidade ancoradas na dataficação da vida e da morte, coletivos periféricos estão moldando um novo paradigma de ativismo urbano. A pesquisa suscita reflexões como: de que forma sujeitos geográfica e subjetivamente localizados podem reposicionar territórios marginalizados por meio de ações tecnopolíticas? Que ferramentas eles estão dispostos a inventar ou adaptar para assegurar comunidades com plenos direitos?
VIEIRA, Gilberto. Da agenda tecnopolítica dos dados na América Latina à geração cidadã de dados nas favelas. Textos para Discussão LabCit/GEDRI, v. 6, n. 2, p. 70–90, 2025.