Este texto parte de uma reflexão sobre como habitar a catástrofe contemporânea, marcada pela crise ambiental e pelas novas formas de colonialismo digital. Inspirado em autores como Davi Kopenawa, Shoshana Zuboff e Deivison Faustino, evoco o colonialismo de dados como uma atualização das lógicas imperiais de extração e controle, nas quais as grandes corporações tecnológicas concentram poder e produzem subjetividades. A partir dessa crítica, apresento o trabalho do data_labe, organização fundada na Maré que pratica a Geração Cidadã de Dados (GCD) como estratégia de enfrentamento à colonialidade e de reinvenção da vida urbana. O texto propõe compreender o ativismo de dados periférico como prática ontopolítica capaz de reconfigurar categorias oficiais e epistemologias coloniais, sugerindo que habitar a catástrofe implica criar outras formas de conhecer e adiar o fim do mundo.

 

VIEIRA, Gilberto. Ativismo de dados nas periferias urbanas: como(re)imaginar a cidade na era da colonialidade dos dados. In: Barbara Necyk, Bianca Martins, Ricardo Artur. (Org.). Desconversas: design e educação. 1ed.Rio de Janeiro: PPDESDI, 2025, v. 1, p. 14-29.