Olá! Para conhecer um pouco sobre minha biografia e currículo, clique aqui. Para saber a agenda de eventos que tenho participado, siga por aqui. Os textos que tenho escrito em revistas acadêmicas, livros e sites estão nesta lista. Também fiz um apanhado de experiências multimídia que estão na aba multimídia. E minhas experiências acadêmicas (cursos, bancas, pesquisas etc.) estão detalhadas aqui.

Gilberto Vieira
contato@gilbertovieira.me

Agenda

Palestra

Geração Cidadã de Dados: métodos e perspectivas do ativismo de dados na América Latina e nas favelas do Brasil

Resiliência comunitária nas margens urbanas
Rio de Janeiro
17 de março de 2026

Debate

Dados para fazer mundos: a centralidade do novo ativismo de dados nas favelas

Lab Maré
Com Cinthia Mendonça, Henrique Silveira e Smantha Reis
Rio de Janeiro
27 de fevereiro de 2026

Aula

Inovação & Jornalismo

Veiga de Almeida – Jornalismo
Rio de Janeiro
14 de novembro de 2025

Apresentação de trabalho

Ativismo tecnopolítico e a vida social dos números nas favelas brasileiras

10º Seminário Discente IESP-UERJ
Rio de Janeiro
11 de novembro de 2025

Curso

Letramento de dados para educadores

Firjan SESI
Rio de Janeiro
04, 11 e 18 de outubro de 2025

Novos textos

Este artigo relata uma experiência de ativação comunitária voltada à mobilização da sociedade civil e à discussão crítica sobre os riscos do uso do Reconhecimento Facial (RF) na segurança pública. O RF,a tecnologia baseada em Inteligência Artificial (IA), tem se expandido no Brasil sob a promessa de eficiência e neutralidade, mas apresenta falhas significativas que resultam em prisões injustas e reforçam preconceitos estruturais. Longe de ser apenas uma ferramenta técnica, o RF opera como um agente em um processo tecnopolítico opaco de vigilância que afeta desproporcionalmente populações negras e periféricas. A ativação comunitária relatada neste artigo ocorreu no evento Criptofunk 2024, no conjunto de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, e envolveu quatro diferentes atividades integradas: experimentação de algoritmos de Reconhecimento de Emoções; oficina com apresentação e debate sobre RF; maquiagem de resistência; e performance de grafitti ao vivo sobre RF. O alto engajamento do público indica o êxito da proposta em conectar universidade e território, promovendo trocas horizontais, crítica social e aprendizado mútuo sobre os impactos dessas tecnologias.

 

PECINI, André; PIO, Débora; SEHNEM, Rubia; BIZERRIL, Pietra; SANTOS, Yasmin; FIRMINO, Rodrigo; ISRAEL, Carolina; VIEIRA, Gilberto. Olhares insurgentes: reconhecimento facial e tecnopolíticas de resistência na Criptofunk 2024. Interfaces – Revista de Extensão da UFMG, [S. l.], v. 14, n. 1, p. 1–26, 2026.

 

Dados sobre quem importa: ativismo tecnopolítico nas favelas do Brasil

A centralidade dos dados na vida urbana contemporânea tem reconfigurado modos de governança da vida e da morte, assim como relações de poder, ampliando desigualdades históricas e tensionando o direito à cidade. No contexto brasileiro, marcado por profundas assimetrias sociais e pela estigmatização das populações que vivem em favelas e periferias, emergem iniciativas em que coletivos e organizações sociais se apropriam criticamente de tecnologias e metodologias de produção de dados para intervir nas narrativas e nas políticas que afetam seus territórios. Esta tese investiga como o uso de ferramentas mobilizadoras de dados por grupos periféricos influencia um movimento de reposicionamento tecnopolítico dessas populações, legitimando-as como produtoras de conhecimento técnico e filosófico. Ancorada em referenciais críticos sobre urbanismo, tecnologia, política e colonialidade, a pesquisa combina abordagem qualitativa e etnográfica, com observação participante no campo do ativismo de dados brasileiro, assim como em eventos estratégicos sobre dados e periferias realizados entre 2022 e 2024, além de análise documental de projetos e políticas. Os resultados indicam que a prática intitulada “Geração Cidadã de Dados”, quando enraizada em redes comunitárias e articulada a repertórios políticos próprios, potencializa disputas narrativas, amplia capacidades de incidência política e fomenta novas formas de participação no debate urbano. Contudo, as práticas analisadas enfrentam barreiras que envolvem infraestrutura, acesso a recursos técnicos e financeiros, deslegitimação científica e riscos de captura por plataformas corporativas de tecnologia. A análise revela que tais práticas operam como cosmotécnicas e cosmopolíticas, ativando modos de vida e produção de conhecimento que desafiam visões hegemônicas sobre a favela e evidenciam um urbanismo situado, capaz de inspirar novos arranjos de diálogo entre Estado, sociedade e corporações. Conclui-se que a Geração Cidadã de Dados configura um repertório emergente de ação tecnopolítica e epistêmica nas periferias, com potencial para reposicionar esses territórios no centro das discussões sobre governança urbana no caos do Antropoceno. A pesquisa contribui, assim, para os estudos urbanos e para o campo da justiça de dados ao propor categorias analíticas e interpretações críticas que podem ser aplicadas a outros contextos do Sul Global, ampliando a compreensão sobre a interseção entre dados, território e ativismo.

VIEIRA, Gilberto. Dados sobre quem importa: ativismo tecnopolítico nas favelas do Brasil. Tese (Doutorado em Gestão Urbana) – Escola de Arquitetura e Design, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, 2025.

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O capítulo discute a tecnopolítica dos dados no contexto do Antropoceno, argumentando que a intensificação da dataficação da vida urbana aprofunda desigualdades históricas e produz novas formas de governança excludente. A partir de uma perspectiva crítica, os autores articulam debates sobre colonialismo digital, justiça climática e governança de dados, destacando o papel das favelas como territórios centrais na produção de saberes e práticas alternativas. Com base em pesquisa etnográfica e na experiência do data_labe e do projeto Cocôzap, o texto propõe a Geração Cidadã de Dados como estratégia tecnopolítica capaz de reconfigurar relações entre Estado, território e conhecimento no enfrentamento das crises socioambientais contemporâneas.

 

VIEIRA, Gilberto; MACHADO, Bruno Amadei. A tecnopolítica dos dados e a centralidade das favelas no Antropoceno. In: LEMES, Manoel et al (Org.). Cenários alternativos de planejamento territorial para o século 21. 1. ed. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2025, p. 412–424.

 

Este texto parte de uma reflexão sobre como habitar a catástrofe contemporânea, marcada pela crise ambiental e pelas novas formas de colonialismo digital. Inspirado em autores como Davi Kopenawa, Shoshana Zuboff e Deivison Faustino, evoco o colonialismo de dados como uma atualização das lógicas imperiais de extração e controle, nas quais as grandes corporações tecnológicas concentram poder e produzem subjetividades. A partir dessa crítica, apresento o trabalho do data_labe, organização fundada na Maré que pratica a Geração Cidadã de Dados (GCD) como estratégia de enfrentamento à colonialidade e de reinvenção da vida urbana. O texto propõe compreender o ativismo de dados periférico como prática ontopolítica capaz de reconfigurar categorias oficiais e epistemologias coloniais, sugerindo que habitar a catástrofe implica criar outras formas de conhecer e adiar o fim do mundo.

 

VIEIRA, Gilberto. Ativismo de dados nas periferias urbanas: como(re)imaginar a cidade na era da colonialidade dos dados. In: Barbara Necyk, Bianca Martins, Ricardo Artur. (Org.). Desconversas: design e educação. 1ed.Rio de Janeiro: PPDESDI, 2025, v. 1, p. 14-29.

 

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